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UM PROBLEMA CHAMADO ANSIEDADE
UM PROBLEMA CHAMADO ANSIEDADE
Este mês o texto abordará um assunto que todas as pessoas já vivenciaram – A Ansiedade. Este comportamento faz parte da natureza humana e esta sensação era identificada pelos nossos ancestrais como sinal de perigo e de ameaça, sendo utilizado como um mecanismo de sobrevivência.
O aspecto fisiológico da ansiedade, portanto, traz consigo o medo e o temor de algo, do desconhecido. Voltemos a pensar a ansiedade no tempo dos nossos antepassados, onde as pessoas, em especial a figura do homem, tinha um determinado objeto a combater: a caça. Por outro lado, necessitava estar sempre atento para não virar comida. Atualmente, este objeto mudou de lugar e passou a viver dentro de cada pessoa... e pior, com a modernidade este objeto fica 24 horas conosco e em constante vigília.
Com a civilização moderna outros inimigos surgiram e ocuparam o espaço e o tempo dos ancestrais. O que era real e factível, diga-se de passagem, se tornou irreal e invisível, assim, a capacidade fisiológica de reagirmos a essas situações também evoluíram, porém a caça está presa em nós mesmos.
A era moderna ficou conhecida como a Era da Ansiedade. Viver nessa sociedade moderna e contemporânea é viver agitado, correndo, consumindo, sendo competitivo, buscando e alcançando expectativas, dormir tarde, acordar cedo, estudar, trabalhar, sair com amigos, namorar, cuidar da saúde, reunião com familiares e mais dezenas ou centenas de compromissos que facilmente caberiam neste parágrafo. Eis a condição do homem moderno.
A Ansiedade é uma sensação de que algo poderá acontecer a qualquer momento, é um estado de alerta que a pessoa fica, como se estivesse esperando o telefone tocar nos próximos segundos... Agora, imaginem esta sensação o dia todo... você esperando o telefone tocar e isto não acontece, a hora passa e você continua na espera – isto é uma intensificação da ansiedade. Agora se imagine aguardando um telefonema que irá acontecer daqui a 2 dias... Haverá um sofrimento ainda maior pela espera, uma inquietação, ou seja, a ansiedade. A pessoa com ansiedade acaba não vivendo o momento presente e sim um futuro que não aconteceu e que pode não acontecer... Uma pessoa com problemas de ansiedade não consegue viver o presente, pois está sempre vivenciando o futuro, ou seja, quando ela se der conta, perdeu grande parte de sua vida vivendo algo que nunca existiu. Neste exemplo apresentado, trata-se de um transtorno de ansiedade típico.
O evento ansioso é singular, ou seja, o valor que é dado a um determinado evento é característico de cada pessoa, assim, a espera de um telefone pode ser extremamente ansioso para uma pessoa, enquanto que para a outra isto nada significa. O que dirá se o evento é ou não gerador de ansiedade é o histórico de vida desta pessoa. É o valor que a ela atribui ao evento, portanto, não se pode dizer que todos os transtornos de ansiedade são iguais. Embora que sua sintomatologia sejam semelhantes, a origem são individuais e, podemos dizer que, únicas.
A agitação e a correria do dia-a-dia, faz com que muitas pessoas fiquem ansiosas, pois somos mergulhados em constantes mudanças rápidas, o que nos obriga a adaptarmos constantemente. Tal adaptação acaba gerando ansiedade pelo desconhecido e, de certa forma, aguardando novas notícias e mudanças.
Podemos classificar a ansiedade como sendo de 2 tipos: a Ansiedade Positiva/Normal e a Negativa. A Ansiedade Positiva/Normal seria aquela que nos tira do marasmo e faz com que tenhamos um desempenho de adaptação e este, assim, acaba sendo benéfico – como acontecia com os ancestrais. Já a Ansiedade Negativa é um constante estado de ansiedade, de forma incontrolável, que o corpo entra em estado de estrese e esgotamento... Este segundo já podemos considerar como um Transtorno de Ansiedade.
O Transtorno de Ansiedade é uma espera que se torna apreensiva e intensa, com difícil controle por parte da pessoa e que acaba apresentando alguns dos seguintes sintomas (variável a cada pessoa): inquietação, irritabilidade, dificuldade para dormir, cansaço, taquicardia, suor excessivo, nervosismo, medo. As preocupações são com situações cotidianas e rotineiras.
Dentro dos transtornos de ansiedade tem-se as particulares, como por exemplo, a claustrofobia (medo de lugares fechados) e a aracnofobia (medo de
aranhas) e tem-se, também, o Transtorno de Ansiedade Generalizada, essa última acontecem quando a pessoa acredita que o evento gerador possa se repetir. Este pensamento é que precisa ser trabalhado na terapia, ou seja, não é porque aconteceu algo uma vez que isto se repetirá. Exemplificando... Uma pessoa que tem transtorno do pânico (que é um transtorno de ansiedade) e que não suporta ficar em multidões, pois uma vez passou mal, evita esta situação por pensar que irá passar mal novamente; se ela for exposta, sem preparação, a este ambiente, o pensamento de que passará mal (ansiedade – pensamento de algo que não aconteceu) fará com que tenha reações orgânicas (sudorese, tremores, taquicardia) e poderá sim passar mal, não por estar em meio a multidão, mas por pensar que passará mal... Assim, o que precisa ser trabalhado na terapia é que o fato original se generalizou para as demais situações (a pessoa acredita que sempre acontecerá a mesma coisa), mas ela desconsidera que o momento e outros fatores são diferentes. Este trabalho é lento e o paciente sofre com isto, por isso é necessário paciência e reforços constantes. Somente assim, o tratamento terá sucesso e o paciente poderá ter uma vida mais equilibrada e aprendendo a controlar sua ansiedade.
Bem, este foi apenas um aperitivo sobre o tema... No próximo mês trataremos de um novo assunto, mas poderemos retomar com esse ou outro tema a partir do interesse de nossos leitores.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
https://www.psiqweb.med.br/site/?area=NO/LerNoticia&idNoticia=45, visitado em abril/2016.
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