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Ser Avós nos dias de hoje

10/08/2016 07:35

SER AVÓS NOS DIAS DE HOJE

 

Avôs e avós são pessoas especiais na vida de uma criança. Afinal, quem não se recorda de aos domingos ir visitar a casa dos avós? Entretanto, na atualidade e com as mudanças ocorridas na sociedade, a relação estabelecida entre os avós e os netos e dos próprios pais se alteraram.

Até metade da década de 60 predominava o modelo de família tradicional, em que homens e mulheres tinham, cada um, um papel definido em suas tarefas. Mas, à partir da segunda metade do século XX, com a entrada das mulheres no mundo do trabalho, muitas transformações ocorreram: aumento no número de separações e divórcio; diminuição no número de membros das famílias, surgindo novos modelos familiares, onde os papéis já não eram bem definidos como antes, mas a principal repercussão foi a mudança do papel feminino, pois passaram-se a se desdobrarem no cuidado da casa, na criação dos filhos e na jornada de trabalho fora de casa – homens e mulheres trabalham fora, dividem as tarefas domésticas e procuram conciliar a vida profissional e familiar não aparecendo mais os papéis específicos e definidos do modelo anterior.

Isto, portanto, trouxe um novo modelo de família. Além dos modelos nucleados (pai, mãe e filhos), outros grupos familiares surgiram (mães e filhos ou pais e filhos, pais e mães com filhos de primeiras e segundas uniões, entre outros). Esses novos modelos trazem à tona a questão dos papeis familiares desses membros. E é aí que entra os avós. Neste novo contexto tem se evidenciado a participação dos mesmos como cuidadores dos netos de forma parcial e até mesmo integral.

Com esta transformação, os avós passam a desempenhar um papel importante como parceiros dos pais, não só no apoio da criação dos netos, mas na construção da identidade destes. Desta forma, a participação dos avós na educação dos netos não deve ser subestimada, e seu papel na sociedade moderna continua a ser fundamental, contrariando a ideia de que na terceira idade não há mais nada para contribuir. Essas mudanças influenciam na redefinição dos laços e papéis familiares, alterando o cotidiano das relações, fazendo com que a figura dos avós ganhe nova ênfase na sociedade atual.

Durante muito tempo os avós significaram um colo carinhoso, uma comida gostosa, uma palavra de conforto; eram nos avós, em geral aos finais de semana, que as crianças viam a oportunidade de se aventurar e de quebrar as regras. Entretanto, esse modo de ser avô vem se transformando no decorrer dos anos. Há um novo papel, uma nova função – os avós passam a ser educadores, transmissores de comportamentos e de saberes.

Os avós que cuidam de seus netos quando os pais estão ausentes, seja trabalhando ou por outro motivo, desempenham um papel importante no crescimento, no desenvolvimento e na educação das crianças. Porém, o papel dos pais e avós devem ser distintos. Mesmo os avós participando de forma ativa na vida dessas crianças, sendo que muitos assumem a função de acompanhantes em consultas médicas e até mesmo na escola, não lhes cabe mudar a disciplina dos pais, seja em relação aos horários ou então as regras.

Os avós são uma referência familiar, fontes de histórias, relatos e anedotas que melhoram o desenvolvimento social e intelectual das crianças. São experiências transmitidas que, através de gerações diferentes, enriquecerão e estreitarão os laços. Nesta relação entre avós e netos, ambos se beneficiam; aos avós é um contato com uma geração muito mais nova, possibilitando novas ideias e aprendizagem. Para os netos, conhecimentos e experiências que servirão como repertórios para a vida adulta.

Três fatores são favoráveis aos avós: o primeiro é que eles não possuem mais filhos pequenos, o que lhes permitem ter mais tempo e condições de ajudar nos cuidados dos netos; o segundo aspecto é que os avós podem aproveitar os netos melhor do que aproveitaram seus próprios filhos: levar para passear e brincar, por exemplo, pois isto não era possível enquanto pais de crianças pequenas e, agora, se veem na oportunidade de curtir e de se divertir com o neto. E o terceiro fator é o de dar sentido a sua vida, pois muitos já se sentem inúteis e incapazes de fazer algo, e quando se deparam com a situação de ajudar um neto, renovam este sentimento de utilidade.

Entretanto, é necessário, por parte dos pais da criança, respeitar os limites dos avós. Limites esses que ultrapassam as questões da idade e permeiam a questão da liberdade, pois nesta relação de ajuda surgem novas cobranças e novas obrigações que já não faziam mais parte da sua vida. Em muitas situações ainda, os avós não têm escolhas e isto se torna uma imposição, podendo gerar um misto de sentimentos diante desta nova demanda. Quando pensam no que precisam renunciar para poder atender as demandas dos filhos, agora adultos, surgem sentimentos de isolamento social e perda pessoal, pois ao ficarem com o neto abrem mão de seus amigos, que não criam seus netos, e que estão desfrutando de momentos de ociosidade e de lazer.

É necessário, portanto, identificar os papéis de cada um neste novo contexto familiar, de modo que ninguém, avós, pais e netos, ultrapassem as barreiras um do outro e deixem de ser uma família onde a convivência seja benéfica para todos e se transforme em um local de conflitos e sofrimentos.

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