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Movimento das Massas
MOVIMENTO DAS MASSAS
Estamos vivendo, no Brasil, um momento de intensas manifestações populares. São diversas reivindicações e em diversos segmentos, mas principalmente nos
governos, seja ele em esfera federal, estadual ou municipal. Essas manifestações surgem diante das seguintes possibilidades, mesmo que remotas: golpe militar, revolução, alienação do povo e o super-engajamento. Nessas manifestações estão presentes, também, o ato de vandalismo e de violência de pequenos grupos que se aproveitam da oportunidade para se mostrarem presentes, sendo que na maioria das vezes não tem o mesmo propósito dos demais.
Essas manifestações recebem o nome de movimentos das massas. Assim, segundo Renato Nunes Bittencourt, massa é “uma categoria axiológica que representa a mediocridade existencial do ser humano, despersonalizado em uma realidade social, política e cultural que se evidencia incapaz de promover a singularidade humana em suas melhores expressões e de lutar por mudanças radicais em seu modo de viver e na própria configuração política de sua sociedade administrada pelos preceitos burocráticos”. Elias Canetti complementa dizendo que “a ânsia de crescer constitui a primeira qualidade da massa. Ela deseja abarcar tudo àquilo que esteja ao seu alcance".
Podemos compreender que a massa faz morrer tudo o que é diferente; o especial perde seu espaço e o qualificado torna-se comum. A individualidade não tem vez e o ser igual a todos se torna a regra, caso contrário, a pessoa será eliminada. A massa perde seus propósitos e não age de forma crítica, pois depende de pessoas com boa oratória e líderes carismáticos para conduzir e exercer influências sobre aqueles que acreditam ser singulares e autônomos.
No discurso é a palavra do demagogo que ganha vida, é o sentimentalismo e a irracionalidade desses oradores que despertam em cada pessoa um sentimento exacerbado, seduzindo-os e levando a “uma causa”. Assim, as pessoas desses grupos emergem em uma grande ansiedade e, a qualquer momento, podem perder o controle sobre seus atos e emoções - são como animais, obrigados a seguirem o chefe da manada. Movidos pelas emoções, as ações não passam pela consciência e pela reflexão. Os atos praticados são covardes, pois as ações não seriam realizadas se os integrantes estivessem fora do grupo, ou seja, na individualidade. Esta é uma grande diferença entre o homem e a massa.
As massas se fazem presente em vários lugares e movimentos: na política, nos eventos esportivos, cerimônias religiosas, entre outros. Um torcedor, no calor da paixão, xinga e sai de toda a regra social; um religioso se perde nas histerias religiosas doutrinada pelo magnetismo carismático dos pregadores. Tudo isto é um problema ético que evidencia a perda de controle afetivo na integração pessoal no coletivo das massas. “Basta lançar uma pedra, um grito, entoar um começo de canto; prontamente todo o mundo irá atrás, e dirão depois que essa desordem foi espontânea. Mas foi preciso necessariamente a iniciativa de um homem". (Gabriel Tarde – alterado do original: “desse homem”).
Uma das formas de justificar esta facilidade de ser conduzido por essa massa alucinante refere-se ao fato de estarmos vivenciando um estado de desagrado e de desilusão total, ou seja, pagamos impostos e não temos o retorno deles, o transporte público é ineficiente, o sistema de saúde é precário e não funciona, a educação está cada vez pior, e a corrupção está à solta em praticamente todos os lugares que pensamos. Isto acontece com todas as pessoas, indiferente sua classe social... E, diga-se de passagem, é revoltante! Agora, imaginem isto em uma população que se encontra em nível econômico inferior ou até mesmo em situação de pobreza?!
A esses, toda e qualquer manifestação popular que prometa uma melhora é fator de esperança. Assim, são presas fáceis para os oradores demagogos e profissionais, que utilizam do sentimentalismo para ganhar adeptos a suas causas particulares.
Por outro lado o verdadeiro cidadão é aquele que cria ou transforma a ordem social, seja através de uma participação ativa na política (e não politicagem – lembra do texto passado?) e/ou de pequenos gestos que contribuem para o bem comum. Precisamos ser pessoas que possuem o equilíbrio e o autocontrole, de modo a não sermos levados pela euforia do momento e dos movimentos interesseiros e partidários (não me refiro a partidos políticos, mas a ideais, seja na política, igreja e no dia a dia). 
De forma a concluir este texto, é necessário que se tenha uma formação em que se preze a singularidade do sujeito, independente de sua classe social e de seu poder financeiro. Precisamos recuperar nossas instituições falidas pelo sistema atual e resgatar, também, a consciência de que somos os únicos responsáveis pelos sofrimentos atuais. É preciso sair da mediocridade, sair dos movimentos massivistas e promover a busca do intelecto e da criatividade, do individualismo e do bem comum, excluir toda forma de estereótipo e de opiniões dogmáticas que engessam o desenvolvimento cultural e a liberdade do povo.
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
Mayorga, Claudia, Rasera, Emerson, & Kind, Luciana. (2013). Editorial. Psicologia & Sociedade , 25 (2), 254-255. Retirado 18 de março de 2016, a partir https://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0102-71822013000200001&lng=en&tlng=pt.
Post originalmente publicado em: www.jovemadministrador.com.br (https://www.administradores.com.br/artigos/cotidiano/a-psicologia-por-tras-das-manifestacoes-brasileiras/71454/)
Renato Nunes Bittencourt (Massificação nas manifestações populares brasileiras) Portal Ciência&Vida (https://filosofiacienciaevida.uol.com.br/ESFI/Edicoes/106/artigo344804-1.asp)
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