Atendimentos Especializados
ALCOOLISMO – DE UM SIMPLES COPO A DEPENDÊNCIA
A Síndrome de Dependência de Álcool (SDA) é um quadro clínico caracterizado por sinais e sintomas cognitivos, psicológicos, físicos e comportamentais que alteram a rotina de vida do dependente e de sua família.
Segundo Sanchez et al., 1982, a dependência física causada no indivíduo que é alcoolista é resultante do processo de adaptação do organismo e independe da vontade deste. O organismo do dependente se defende da ingestão frequente de álcool desenvolvendo o mecanismo de tolerância, significando que com o uso regular desta droga o organismo sente cada vez menos o seu efeito, sendo necessária uma ingestão ainda maior, ou seja, há a perda ou a diminuição da sensibilidade aos efeitos iniciais do álcool.
Sabemos que o álcool é um depressor do sistema nervoso central (SNC), que primeiramente provoca sensações de relaxamento e diminuição da censura; alguns indivíduos relatam sensação de bem estar e euforia, porém em seguida, sentimentos de angústia e hostilidade podem vir a surgir. Em estado de embriaguez, a fala fica lenta, confusa e ocorre sonolência, há uma ingestão ainda maior de doses alcoólicas levando a depressão dos centros respiratórios, podendo causar coma e até chegar à morte.
Estudos relatam que, aproximadamente, 10% das mulheres e 20% dos homens utilizam o álcool de maneira abusiva, e que 5% das mulheres e 10% dos homens apresentam dependência alcoólica (Louzã , 2004). É importante diferenciar o consumo abusivo do álcool do quadro de Dependência, pois os tratamentos são diferentes. Para fazer o diagnóstico de uso problemático do álcool, basta fazer as seguintes perguntas (extraído do questionário CAGE – sigla que se refere as suas 4 perguntas: Cut Down, annoyde by criticims, Guilty e Eye-Opener).
1
) Alguma vez você sentiu que deveria diminuir a quantidade de bebida ou parar de beber?
2) As pessoas o aborrecem porque criticam seu modo de beber?
3) Você se sente culpado ou chateado consigo mesmo pela maneira com que costuma beber?
4) Você costuma beber pela manhã para diminuir o nervosismo ou a ressaca?
Uma pontuação positiva de um ou dois itens é considerada clinicamente significativa
Já o Diagnóstico de Alcoolismo deve ser feito quando preenchidos pelo menos 3 dos critérios a seguir, pensando-se sempre nos últimos 12 meses:
- Tolerância: necessidade de quantidades cada vez maiores de álcool.
- Abstinência: sintomas físicos e psíquicos que aparecem quando o consumo é reduzido ou retirado, como: tremores, irritabilidade, sudorese, aumento da pressão arterial, etc.
- Compulsão: desejo incontrolável de beber. A pessoa imagina-se incapaz de ficar em abstinência.
- Alívio ou evitação da abstinência pelo aumento do consumo de bebidas: a pessoa passa a beber preventivamente para evitar os sintomas da abstinência, acima descritos.
Relevância do Consumo: beber torna-se prioridade.
Estreitamento ou empobrecimento do repertório: à medida que o alcoolismo avança o consumo passa a ocorrer em locais inapropriados, como por exemplo, no local de trabalho.
Reinstalação da Síndrome da Dependência: desejo ou esforços mal sucedidos no sentido de reduzir ou controlar o uso da substância.
O tratamento para o alcoolismo é, em sua maior parte de responsabilidade do paciente. O médico, o psicólogo e a família podem auxilia-lo nas condutas e terapias, porém, apenas o alcoólatra é quem tem a possibilidade de controle a doença.
Vários tipos de tratamento se encontram hoje disponíveis para os pacientes:
A Terapia garante ao paciente a possibilidade de identificar os estímulos que desencadeiam o uso do álcool e o descontrole dos comportamentos, como consequências do uso.
O Tratamento ambulatorial é indicado para aquele paciente que quer deixar a dependência do álcool, mas não consegue sem a ajuda de profissionais. Neste caso, os prejuízos ainda não são graves, de modo que o paciente continua em sua rotina de trabalho e de vida social.
A Internação voluntária é quando o paciente deseja ser internado, pois percebe que perdeu o controle sobre o beber.
A Internação involuntária é indicada para o indivíduo que perdeu o controle sobre sua vida e suas escolhas e a família o interna sem seu consentimento.
A Psicoterapia Familiar é o tratamento realizado com a família, pois, concomitantemente, uma síndrome denominada co-dependência faz com que esses membros adoeçam junto com o paciente, devido a varias situações vivenciadas.
A duração e o tipo de tratamento estão diretamente relacionados com o diagnóstico, gravidade do alcoolismo e evolução do paciente. De modo geral, o tratamento é para um longo período, modificando-se a modalidade, conforme a evolução ou gravidade.
Por ser uma doença crônica o paciente, após alcançar a abstinência, deve passar para um programa de manutenção que deverá ser planejada por um profissional competente. Assim, dependendo do paciente, este poderá ser encaminhado para continuidade em psicoterapia, farmacoterapia, acompanhamento com médico psiquiatra e ou Grupo de Anônimos.
Compreender o alcoolismo como uma doença é fundamental para elaborarmos, para cada paciente, o melhor plano terapêutico possível. É necessário, também, olhar para os familiares desses pacientes como vítimas e como recursos ao mesmo tempo – porque se é verdade que as pessoas mais próximas do alcoólico precisam de ajuda, também é fundamental assumir que estas pessoas podem desempenhar um papel importante na recuperação deles.
Contato
Rua Monsenhor Manoel Francisco Rosa, 601
Sala 05 - Centro
13400-270
Piracicaba/SP
19 3041-0545
19 99342-1312
crp@crppsicologia.com