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A Dependência Química

18/03/2015 23:50

"A DEPENDÊNCIA QUÍMICA"

A dependência química, uso abusivo de substâncias psicoativas, é um fenômeno presente em toda história das civilizações e nas mais diversas culturas e contextos. Antigas civilizações já faziam uso de produtos naturais em busca de prazer, alterações no estado de consciência ou ainda para alívio das dores.

O uso de drogas, assim como outros costumes, seguem padrões relacionados às épocas e, sua utilização, assim como os tipos de substâncias, muda de acordo com o contexto sócio-cultural em que estão inseridos.

Segundo estudos, durante a segunda metade do século XX o consumo de substâncias psicoativas aumentou drasticamente e a droga passou a ser usada como alívio para o sofrimento e as tensões sociais, mais do que para o prazer. Com o tempo, o uso das drogas deixou de ser um elemento de integração entre pessoas e grupos e passou a ser um problema social e de saúde publica.

A dependência química é o último estágio no processo que envolve o abuso de drogas lícitas e ilícitas. Ela é considerada uma doença psiquiátrica de ordem biológica, psicológica e social, provocada e mantida pela auto administração compulsiva de drogas, independente dos resultados benéficos ou maléficos e, posteriormente, apresenta o desejo de se manter abstinente (Lemos, 2013).

Os fatores que levam o indivíduo a se tornar um dependente químico são variáveis e alguns, ainda, indefinidos; eles podem estar relacionados a compulsão para busca e obtenção da droga; perda do controle em limitar esse consumo; emergência de estados emocionais negativos como ansiedade, raiva e frustração.(Kessler, Diesmem e Pechanski, 2004, p.299); falta de controle e impulsividade e incapacidade de ceder diante de pressão de grupos sociais.(Silva, 2000 p.25). A abstinência (mudanças bruscas no comportamento, como alucinações, convulsões, taquicardia e crises de pânico em pessoas que estão muito dependentes de alguma substância) é um dos principais sinais e sintomas que indicam um alto grau de dependência. Estando neste estágio, o organismo do indivíduo já está bastante comprometido pela substancia.

Os padrões de comportamento e transtornos são comuns entre os dependentes químicos e isto faz com que tenham características próprias. De acordo com Cunha, (2006, p.35), entre elas estão:

•                     Onipotência: o indivíduo acredita estar sempre no controle;

•                     Manipulação: age de forma a enganar as pessoas com a finalidade de realizar os seus desejos que, em grande parte, está relacionado ao consumo de substâncias psicoativas;

•                     Obsessão: ideia fixa e repetitiva de consumir as drogas;

•                     Compulsão: atitudes desconexas, incoerentes com a realidade provocadas pelo desejo intenso e pela necessidade de continuar a consumir a substancia, resultando em alívio da tensão gerada;

•                     Ansiedade: reação/sensação que antecede o usa das substâncias; como o adicto deseja sempre a substância, a ansiedade é constante e intensa;

•                     Apatia: Falta de empenho para a realização de objetivos e metas, até mesmo para atividades do cotidiano;

•                     Autopiedade: um tipo específico de manipulação que o dependente usa para conseguir realizar algum propósito e colocando-se como vítima da situação;

•                     Comportamentos anti-sociais: repertório comportamental gerado pela instabilidade emocional que o indivíduo desenvolve tendo sua imagem marginalizada pelo meio social – culmina com o afastamento e o isolamento social;

•                     Paranóia: desconfiança e suspeita exagerada de pessoas ou objetos, de maneira que qualquer manifestação comportamental de outras pessoas é tida como intencional ou maléfica e sempre dirigida a sua pessoa.

 

A partir da segunda metade do século passado, o conceito de dependência química deixou de ser enfocado como marginalização e desvio de caráter passando a ter contornos de transtorno mental com características específicas (Ribeiro apud Prata et al , 2009, p.208), assim, passou a fazer parte da Classificação Internacional de Doenças (CID). Segundo a Organização Mundial de Saúde, a dependência química é classificada entre os transtornos psiquiátricos, sendo considerada uma doença crônica que pode ser tratada e controlada, simultaneamente, como doença e como problema social.

Os prejuízos neurológicos, cognitivos e relacionais causados pelas substâncias são em sua maioria irreversíveis, progressivos e passam despercebidos pelo indivíduo. Os danos físicos e sociais quando percebidos impulsionam, ainda mais, o dependente químico a uma insaciável busca pelos efeitos da droga (Silva, 2000, p.14).  A necessidade de buscar constantemente a droga altera a vida do dependente afetando as relações familiares, sociais, profissionais e financeiras, trazendo para o indivíduo um intenso sofrimento físico e emocional, sendo esses, muitas vezes, irrecuperáveis, o que depende da intensidade da adicção, assim como da aceitação do adicto pelo tratamento do problema. Assim, o tratamento da dependência química, envolve o indivíduo e toda sua rede social afetada. (Leite, 2000).

Conforme Prata (2009), o tratamento é lento e romper o ciclo da dependência é difícil e delicado; cuidar do dependente químico é considerá-lo em sua totalidade dentro do modelo biopsicossocial de saúde. Aceitar a dependência química e o dependente dentro desses parâmetros mostra a necessidade de romper o conceito de dependência química apenas como uma doença psiquiátrica e acatar ações de promoção e prevenção ao uso de drogas com a finalidade de reduzir esse complexo fenômeno da atualidade.

    Enfim, viver com um dependente químico não constitui tarefa fácil, pois são frequentes as brigas/discussões familiares e, consequentemente, separações, pois, seu pensamento, na maioria das vezes, é egoísta, principalmente quando está sob o efeito da droga, e é voltado ao uso da substancia pela qual está dependente. Tratar o dependente não basta, é necessário incluir a família neste processo doloroso e moroso. O melhor remédio? Ainda é a prevenção.

 

 

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